quarta-feira, 25 de junho de 2008

Prólogo ~

Quantas coisas já fiz em 17 anos de vida! E tá se aproximando os meus 18. Quantas coisas vou fazer até lá ? E quantas coisas vou fazer até morrer ? A gente sempre faz as coisas tão mal feitas, e depois olha pra trás dizendo 'que merda!' e sempre juramos melhorar na próxima! E quando melhoramos ?
Já sentei em uma esquina suja, sozinha, em frente a uma peixaria pra ler um livro de 500 págs. Já fiz apresentações de ballet, já fiz apresentações de seminários, já fiz apresetações de tristezas e alegrias, apresentações de julgamentos e hipocrisias! Quando a gente para pra pensar a gente vê o quanto a vida é gostosa. A minha é tanto, cara! Me lembro de depois da separação dos meus pais, quando minha mãe arrumou um namorado, eu fiz um escândalo, desci a rua correndo descalça dizendo que eu nunca voltaria! Aiii é tão divertido lembrar disso. Na época, eu sei que eu sofri com isso, eu ainda não sabia entender.
Me lembro também de quando o meu pai casou, como eu fiquei com ciúme da mulher, cara. E o casamento da minha irmã mais velha ? Ai pareciam ter tirado um pedaço de mim!
É legal lembrar de todas essas coisas, até das coisas mais sórdidas e sujas que eu fiz! Qando a gente volta nas lembranças, remexe nossas memórias, a gente consegue ter o mesmo sentimento que tivemos quando vivemos aquela coisa! Um exemplo claro é quando você lembra de alguma vergonha que passou, você sente o seu rosto queimar e com certea se for ao espelho, você vai ver seu rosto corado!
É incrível perceber o poder da memória em nós! É como um sonho, sabe ? A gente revive, de verdade. A gente sente, namioria das vezes, com a mesma intensidade. Nossas lembranças ficaram conosco pra sempre, além da vida. Nossos fracassos, erros, acertos, pecados, virtudes, ficam registrados em nossa alma . Eles são a coisa de mais importantes que temos. São a nossa vida!


Meus pais se conheceram em 1989. Minha mãe era viúva, mãe de três filhos. Meu pai, divorciado, pai de 5 filhos.
Não se casaram no papel, sequer na igreja. Se casaram no amor, no espírito.
1990. Eu nasci. Mais precisamente, 13 de julho de 1990 à 00:01, na Maternidade Santa Clara Basbaum, em Botafogo-RJ.Pra uma pessoa que nasceu à 00:00 de uma sexta-feira treze, ser normal não é o certo! Pois então, eu nasci com metade do corpo vrmelho e a outra metade branca. Eu era cabeluda e ruiva. Tinha os olhos azuis. Mas ainda assim eu tinha cara de joelho. Era como um bebê qualquer, e a minha família, também era como outra qualquer, me achava o bebê mais lindo!
Eu sempre fui muito amada, eu sei disso. Fui mimada até, não posso negar. Eram três irmãos mais velhos, pouco dinheiro, e os biscoitos recheados só pra mim. Injusto isso, eu acho. Se eu tivese uma irmãzinha agora e os luxos fossem reservados a ela, juro que eu me rasgaria de ciúmes e daria crises diárias. Coitados dos meus irmãos.
Eu era uma ótima criança, é sério. Eu não dava trabalho, exceto na hora de comer. Eu era quietinha, tímida e digamos que até prodígio. Com dois anos, já sabia escrever meu nome e com 4 já sabia ler.
Eu sentia falta da minha família sempre reunida. Do café da manhã, almoço e janta juntos na mesa e tudo mais. Mas com o tempo eu fui vendo que tudo isso era superficial. Sim, é bom fazer as refeições com a família, mas existem muitas delas que fazem suas refeições juntas e não alcançam o mínimo da nossa união. É, nós podemos brigar entre nós, nos socar, nos xingar, mas só nós podemos. Ai de alguém que se meta com um de nós.
Meus pais tinham brigas constantes, mas não eram normais, sabe ? Minha mãe quem dava socos no meu pai. Me lembro de um dia meu pai correndo da minha mãe pelo condomínio, se escondendo atrás das pilastras com o olho roxo. A partir dos meus seis anos eles ficaram nessa de volta/separa, separa/volta. Mas mesmo assim, sempre estiveram unidos pra me criar, me educar e me dar amor.
Meu pai era um doce, cara. Brincava de bonecas comigo, me contava histórias fazendo onomatopéias e mordia meu dedinho mindinho, que era 'o dedinho do papai'. Minha mãe, durante a minha infância, trabalhou muito, mas ela sempre estava ali pra me dar carinho. Mãe é mãe, não é ?
Minha irmã mais velha, a Regina, era minha segunda mãe. Ainda é. Quanto amor tenho por ela. Quanto sacrifício e dedicação ela fez pelo meu bem e pela minha felicidade.Tenho tato orgulho e respeito por ela. Ela sempre foi aquela que mais se preocupou comigo, com minha saúde, com meu sentimento. Sinto que eu tenha decepcionado tanto ela e essa ligação esteja se esvaindo aos poucos!
Com os meus outros dois irmãos, Renata e Daniel, os gêmeos, a relação sempre foi mais baseada em brigas. Nós somos frios um com o outro. Não lembro do meu irmão me abraçando. Às vezes me dá uma vontade tão grande de correr e abraçá-los, mas eu nunca faço.
A gente morava em Icaraí, em um apartamento. Apesar de eu ter tudo que eu precisava, e da minha família sempre me proporcionar o melhor, eu fui uma criança adulta. Cresci no meio dos adultos, gostava deles até. Até hoje, acho que tenho uma cabeça mais avançada em relação às outras pessoas da minha idade. Na escola eu sempre era a mais inteligente. Mas eu sempre tive uma timidez descomunal. Eu me escondia embaixo da mesa quando chegava visitas, é sério.
Em 2000, nos mudamos para o Barreto, minha mãe comprou nossa casa. Foi um ano de muitas mudanças. Eu descobri que Coelinho da Páscoa e Papai Noel não existiam. Meus pais se separaram de vez e eu fui mandada pro pscicólogo devido as minhas crises de sonâmbolismo e minha timidez extrema. Eu odiei o pscicólogo. NuncA MAIS FUI EM UM. Ele me mandava desenhar alguma coisa, eu fazia um risco e ele me pergutava o que significava ('Dãããã, um risco ¬¬')
Minha vida foi assim por alguns anos: Ballet, sapateado, natação, escola, casa do pai aos fins de semana.

Acho que meus 13 anos eu posso dizer que foi um dos melhores anos selecionados por mim.
Foi em 2003. Eu já tinha uma sobrinha de 3 anos, a Anna Luiza, filha da Regina. Ela é a minha princesinha cara. É a criança mais doce e educada que pode existir. Claro, tem seus defeitos, mas eles não superam suas virtudes. Ah, como eu a amo.
2003 foi o ano de escutar Rock's, colar pôsteres de banda na parede do quarto, andar com roupas pretas e largas, com correntes penduradas e escrever em todos os cantinhos 'Guitarra na cabeça e rock na veia'. Eu era a super certinha entre as minhas amigas. Não ia a locadora sem a permissão da minha mãe. Sempre tive as melhores notas e era tão tímida que nem pensava em namorados.
2004 também foi um dos melhores anos. Foi o ano da minha 8ª série. Era o fim de mais uma etapa, e em 2005 seria o início de outra. Eu era muito inocente. Eu era madura, tinha a cabeça no lugar e e noção do certo e errado, mas não sabia as coisas que o mundo era capaz. Só iria começar a descobrir isso, nessa nova fase.

2 comentários:

Jujuba disse...

e mesmo depois de ler isso tudo, e te dizer que não sabia nem de 10% disso tudo, eu sinto como se conhecesse a séculos, como se isso fossem apenas lembranças de momentos que dividi com você.

é realmente interessante relembrar momentos, e lendo seu post, lembrei de muita coisa parecida que aconteceu comigo... e senti essas emoções que você diz no começo do post...

enfim, gostei de ler um pouco mais sobre a sua história, me sinto mais próxima de você.

te amo, minha razção (L)

Wallace Santiago. disse...

meu lendo tudo isso eu fui lembrando de cada detalhe tbm de minha infancia até o dia de hoje e vejo que nem todos tem uma familia perfeita como imaginei/imagino que existisse, enfim as vezes é bom fazer esses retornos até pq nossas memórias são as unicas coisas que levamos até o fim das nossas vidas, gostei do que escreveste!
bejo :*